UFMS acompanha debates sobre território, direitos e agroecologia na Mesa Quilombola 2026
Realizado na Comunidade Quilombola Chácara Buriti, em Campo Grande/MS, o encontro Mesa Quilombola 2026, reuniu representantes de 18 territórios tradicionais de MS, órgãos governamentais e pesquisadores para discutir regularização fundiária e sustentabilidade nos dias 3 e 4 de setembro.
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), representada por pesquisadores e residentes do programa de Especialização em Residência Agrícola em Extensão Rural, participou dos debates. O evento foi promovido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


O encontro reuniu cerca de 89 participantes por dia, articulando lideranças comunitárias, órgãos do Poder Judiciário, instâncias governamentais e instituições de ensino superior. Das 22 comunidades quilombolas reconhecidas em Mato Grosso do Sul, 18 estiveram representadas na ação, vindo de diferentes municípios: Famílias Campos Correia, Osório e Theodora Gonçalves de Paula de Corumbá; Comunidades Chácara Buriti, São João Batista e Tia Eva/São Benedito de Campo Grande; Comunidade dos Pretos de Terenos; Dezidério Felipe de Oliveira/Picadinha de Dourados; Famílias Araújo Ribeiro, Romano Martins da Conceição e Família Cardoso de Nioaque; Família Bispo de Sonora; Família Quintino de Pedro Gomes; Furnas da Boa Sorte de Corguinho; Furnas do Dionísio de Jaraguari; Furnas dos Baianos de Aquidauana; Santa Tereza/Família Malaquias de Figueirão; e Comunidade São Miguel de Maracaju.
Diferente das edições anteriores ou dos debates acadêmicos tradicionais, a escolha da Comunidade Chácara Buriti como sede deslocou as discussões institucionais do ambiente burocrático para o “território vivido”. Para os pesquisadores da UFMS, levar a estrutura de debate para dentro da comunidade permitiu aproximar a formulação de políticas públicas das reais demandas locais.
Um dos eixos centrais da Mesa foi o esclarecimento dos fluxos procedimentais para a regularização fundiária dos territórios. O Incra apresentou as etapas que vão desde a certificação pela Fundação Cultural Palmares, passando pelo Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), até a fase final de titulação das terras.
Para a atração cultural na noite do dia 4 de setembro, a UFMS providenciou o sistema de som, a logística e um acadêmico responsável pelo apoio na apresentação de Allan e Max Mydina, um momento de descontração e interação, com a participação do violeiro Lúzio pertencente à Comunidade Quilombola de Corumbá/MS.

A participação da Universidade reflete o compromisso com a extensão e a pesquisa comunitária. A Chácara Buriti já possui um histórico de projetos voltados à agricultura familiar, panificação comunitária e inserção em programas de compras públicas de alimentos.
A vivência proporcionou aos acadêmicos e residentes a compreensão de que o diálogo entre saberes técnicos e acadêmicos com o conhecimento tradicional representa, por si só, uma prática agroecológica integradora. Há muito que se valorizar a busca pela inclusão de sistemas agroalimentares sustentáveis, que prestigiem a cultura local e a nossa sociobiodiversidade.

