Alcinópolis, Capital da Arte Rupestre e o potencial do Agroextrativismo Sustentável
Reconhecida como “Capital Estadual da Arte Rupestre”, Alcinópolis abriga dezenas de sítios arqueológicos com pinturas e gravuras rupestres de mais de 10 mil anos, constituindo um importante patrimônio histórico, cultural e ambiental de Mato Grosso do Sul. O título foi oficializado pela Lei Estadual nº 4.306, de 21 de dezembro de 2012, em razão da expressiva concentração de sítios catalogados pelo IPHAN.
O município integra as ações do Programa Trilha Rupestre, da UFMS, iniciativa que atua junto aos municípios sul-mato-grossenses que possuem sítios arqueológicos com arte rupestre. O programa desenvolve ações voltadas à valorização do patrimônio cultural, à conservação ambiental, à capacitação das comunidades locais e ao fortalecimento da bioeconomia regional por meio do uso sustentável da sociobiodiversidade.
Curso sobre aproveitamento de frutos do Cerrado
Como parte das atividades do Programa Trilha Rupestre, a equipe responsável pelos eixos de Alimentos e Botânica realizou, nos dias 4 e 5 de maio de 2026, o “Curso sobre Aproveitamento e Preparações Alimentícias com Frutos do Cerrado”, destinado às merendeiras da rede municipal de ensino de Alcinópolis.

Mais informações: https://trilharupestre.ufms.br/eixos-2/
A ação contou com apoio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes, representada pelo secretário Prof. Thierry Porato, e pela Profa Marica Izabel de Souza, além das nutricionistas Fernanda Canuto da Silveira e Natasha Messias de Morais, e do diretor da Escola Municipal Alcino Carneiro, Prof. João da Silva Souza.
Durante o encontro, foram apresentadas as ações e perspectivas do Programa Trilha Rupestre pela técnica administrativa Naiade Valenzuela de Alcântara (doutoranda em Administração pela ESAN/UFMS). A professora Dra. Rosani do Carmo de Oliveira Arruda (INBIO/UFMS) abordou a importância da biodiversidade regional e o potencial dos frutos nativos do Cerrado, enquanto a professora Dra. Raquel Pires Campos (FACFAN/UFMS) destacou estratégias de agregação de valor e fortalecimento das cadeias produtivas da sociobioeconomia.

Troca de saberes e valorização do Cerrado
O curso promoveu momentos de intensa troca de conhecimentos entre membros da universidade, nutricionistas e merendeiras, valorizando saberes locais e discutindo possibilidades de inserção dos frutos nativos na alimentação escolar.

As participantes também realizaram visita técnica ao Parque Natural Municipal Templo dos Pilares, acompanhadas pelo guia de turismo Erciliomar Furquim Rocha. A atividade reforçou a integração entre patrimônio natural, cultural e educação ambiental

Oficina prática com preparações alimentícias
Na oficina prática, foram utilizados ingredientes produzidos com as espécies nativas da região, como castanha de baru, farinha de bocaiuva, farinha de jatobá, especiaria de guavira, polpa de pequi e jenipapo verde.
As receitas desenvolvidas demonstraram o potencial desses ingredientes para a alimentação escolar e para a valorização da sociobiodiversidade regional. Entre os preparos que mais chamaram atenção estiveram:
- pão enriquecido com farinha de jatobá;
- bolo azul de jenipapo;
- torta de jatobá com frango;
- biscoito salgado de pequi.

Além de promover alimentação mais diversificada e nutritiva, a iniciativa contribui para fortalecer o uso sustentável dos recursos do Cerrado, incentivar cadeias produtivas locais e aproximar ciência, educação e comunidade.

